segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta de despedida


Sei que já faz alguns poucos meses mas quero compartilhar com todos que me seguem a carta que escreví de despedida para a minha comunidade onde exercia o Ministerio da Sagrada Eucaristia.

07 de maio de 2011
Tristeza e felicidade se misturam nessa minha decisão a que venho comunicar.
Sou grata primeiramente a Deus por ter me dado o privilégio de ser Ministro extraordinário da comunhão por tantos anos. Cresci muito como humana e espiritualmente enquanto exerci esse ministério. Vou levar por toda a minha vida todo o meu aprendizado e nunca serei egoísta e não guardarei estes só para mim, sou e continuarei a ser anunciante da Palavra seja  por som e principalmente por gestos e comportamentos. Tenho absoluta certeza que foi essa minha caminhada que me fortaleceu para que enfrentasse toda a turbulência que passei e que às vezes ainda passo. Em nenhum momento me desesperei, fazendo com que pessoas ao meu redor aprendessem com meu exemplo que ter Fé é acreditar e se colocar no colo de Jesus, foi e é isso que faço todos os dias de minha vida.  
Sou grata pelo convite que recebi a alguns anos feitos pelo Padre João e ao seu lado nosso querido Seu Júlio. Naquele dia me senti a pessoa mais honrada do mundo, foi uma emoção e ao mesmo tempo sabia que seria um compromisso permanente. Ser ministro não é só na hora da missa, ser ministro é ser exemplo para toda uma comunidade e também sociedade. Exerci meu chamado em muitos lugares e também com alguns padres diferentes e isso me fez entender as pequeninas diferenças de região e ao mesmo tempo entender por inteiro a liturgia, sinto que não só entendia e sim vivia a liturgia e ainda vivo.
Sou grata por Deus ter colocado em minha vida os ministros que junto começaram comigo e por algum motivo já se afastaram, pelos ministros que continuam na caminhada e por aqueles que entraram depois de mim. Agradeço a Deus por ter colocado cada um deles nesse ministério e peço para que eles consigam viver suas vidas de uma forma santa.
Também grata a todos os padres , missionários, irmãs e ministros que oraram por mim nos momentos de dificuldades. Essas orações me fortaleceram muito.
Não quero citar nomes pois corro o risco de ser injusta e esquecer de alguém, muitas vezes a cabeça falha,mas saibam que meu coração não falha e cada uma dessas pessoas estão acomodados dentro dele.
Muitas vezes comecei  a escrever, já faz meses que tento e não tinha conseguido, talvez seja  a dor da despedida. Quando fui convidada a ser ministra recebi uma carta bem  elaborada (coisa de Padre João) que contia algumas exigências para ser ministro e essas nunca saíram da minha cabeça. Entre elas: a boa saúde, vida em comunidade, formação contínua e disponibilidade de tempo do ministro, coisa que hoje sei que não me enquadro mais.
Essa minha despedida não é opção e sim aceitação. Durante meses e meses estava na esperança que meu quadro de saúde se revertesse, no entanto isso não aconteceu, pelo contrário, me impossibilitando de continuar no ministério.
Sempre ajudei as pessoas conhecidas ou não, fazia visitas em hospital, fui voluntarias em muitos lugares carentes, enfim sempre me coloquei a disposição, sempre me doei e hoje sei que Deus me colocou num lugar para dar oportunidade para ficar em outra posição , a de ser ajudada e isso muitas vezes não é nada fácil, mas sei que se Deus permitiu isso foi para que crescesse mais espiritualmente.
Apesar de um pouquinho triste pela minha impossibilidade de servir (ministrar), tenho certeza que sou instrumento de Deus, e se estou passando por isso tem um propósito.
Uma coisa quero deixar bem claro, não estou deixando de participar da Igreja Sagrada Face, apesar deu morar longe e foi  nesta comunidade que tive meu crescimento espiritual e sou muito grata a tudo e todos. Hoje a Sagrada Face faz parte do meu ser.
Agradeço novamente o carinho de todos e desejo que Jesus e Maria permaneçam no coração de cada um de vocês.
Deus provê, Deus proverá e sua misericórdia não faltará. 

Márcia Pitelli

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